Metaversos – A realidade nada virtual

Quem não gostaria de participar de um show ao vivo de sua banda favorita, no conforto do sofá da sua casa e ainda acompanhado de um grande amigo que está do outro lado do mundo? E de receber um catálogo em casa de sua loja favorita, onde você pode visualizar projeções animadas dos produtos que estão em oferta, e comprar o que gostar com simples comandos de voz? Consegue imaginar fazer uma chamada holográfica com seus pais, podendo abraça-los e sentir a pressão e o calor do abraço? Tudo isso viabilizado por equipamentos de realidade virtual para ver e ouvir em 3D, além de sensores para transmitir seus movimentos e sentimentos a seu avatar, e também simuladores de contato com objetos virtuais através de vibração, pressão e calor espalhados pelo seu corpo. Apesar de toda a controvérsia que circula o tema, é seguro dizer que os metaversos são o inevitável próximo grande passo na história da humanidade enquanto espécie social. Nos referimos a esta tecnologia no plural porque há mais de um universo virtual em desenvolvimento. As únicas apostas que estão abertas são a respeito de quem criará o primeiro metaverso de sucesso, além de quando, onde, como, e principalmente, a que preço para a sociedade.

É seguro acreditar nos metaversos porque ser uma espécie social significa dizer que o sucesso da nossa espécie depende da interação de seus indivíduos, uns com os outros. Os mesmos humanos, que juntos prosperam, se fossem individualmente isolados, batalhariam indefinidamente pela própria sobrevivência. Assim, sendo tão importantes para nosso desenvolvimento, não há nada mais natural do que estarmos buscando constantemente maneiras de facilitar que essas interações ocorram.

Historicamente, maximizamos nossas interações por meio de facilitadores de comunicação. Inventamos glifos, a escrita, o papel, mimógrafos e serviços de correios, tudo para interagirmos cada vez mais entre nós. No mundo contemporâneo, a invenção da vez é a internet, que faz com que bilhões de usuários interajam com o mundo todo, em tempo real e com baixo custo. Essa nossa realidade atual, com tamanha eficiência e acessibilidade dos meios de comunicação, seria inimaginável no ano de 1900. E em algum momento da história, o mesmo foi verdade para qualquer outra invenção revolucionária. Ainda assim, essa descrença cíclica não as impediu de serem criadas.

O sentimento de descrença nos metaversos que temos hoje é apenas a mais recente iteração desse ciclo, causada pelo véu semitransparente que sempre recobriu o nosso futuro enquanto espécie, mas onde os nossos visionários da atualidade já começam a enxergar os contornos do que está por vir. Felizmente, diferente da realidade até o século XX, a espantosa velocidade com a qual a tecnologia tem evoluído no século XXI provavelmente nos permitirá vivenciar experiências incríveis nos metaversos muito mais cedo do que esperamos.

Nem tudo, porém, são flores. Enquanto usuários, estamos ansiosos para viver a era dos metaversos, mas enquanto advogados, nossa preocupação é a gritante diferença de ritmo de avanço que as legislações têm em comparação com a tecnologia. Se por um lado, a qualquer momento podemos nos ver no mundo dos metaversos, por outro ainda nos falta muito esforço para regulamentar plenamente as tecnologias que já temos, como as redes sociais e as políticas de coleta e tratamento de dados. Nosso Marco Civil da Internet (MCI) e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já vieram tarde, e estão longe de serem suficientes para regular os efeitos dessas tecnologias, que ainda mal conhecemos, principalmente os de longo prazo. A legislação dos países de primeiro mundo, apesar de mais avançada do que a nossa, também não regula de forma ideal. Um dos maiores exemplos de uso irregular das redes sociais são os estudos que investigam uma provável correlação entre casos de depressão e ansiedade com a utilização de redes sociais, em especial crianças e adolescentes. Muitas vezes os usuários são expostos a conteúdos inapropriados que exploram seus medos e inseguranças, atiçando sua curiosidade e retroalimentando algoritmos que intensificam cada vez mais essa exposição.

Os metaversos certamente serão, como qualquer tecnologia, uma lâmina de dois gumes. Com o tempo, serão tão comuns e naturais quanto nossas lâmpadas, carros e telefones, criações que também revolucionaram suas épocas. Porém, especialmente enquanto essas tecnologias com forte viés social não estiverem plenamente desenvolvidas, bem como suas regulamentações legais atualizadas, e os efeitos de seu uso conhecidos, nos cabe enquanto usuários utilizá-las com reservas, a fim de preservar nossa integridade física e moral, bem como a daqueles que forem nossos dependentes.

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